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Recobrei a consciência, estava algemado e amordaçado em uma pequena cela dentro da delegacia, a dor de cabeça era tão grande quanto a fome, minha visão ainda estava um pouco turva por causa da pancada. Ao notar que estava acordando um homem abriu a cela e veio em minha direção perguntou se eu sentia frio, respondi com a cabeça que não, nesse instante ele se ajoelhou perto de mim e encostou uma arma na minha testa disse pra eu não tentar nada... Como se fosse possível eu fazer alguma coisa estando com braços e pernas algemadas, em seguida um outro se aproximou segurando um estetoscópio encostou em meu peito, comentou com o outro que parecia não haver nada errado.
-Sem febre e com batimentos normais, pode libera-lo
O homem que segurava a arma levantou e disse em um tom de ironia que não saberia dizer se eu era um cara de sorte, apontou pra pequena cela em frente.
-Aquele ali não teve tanta sorte quanto você
Era o cadáver de um homem queimado, também amordaçado e algemado como eu.
Enquanto o homem tirava minhas algemas e mordaça ele ia resmungando baixo para mim.
-Não podemos vacilar , não há cura para isso, quando alguém esta infectado devemos destruir o corpo antes que a doença tome conta de tudo. Porque depois que um infectado morre, o vírus se apodera do corpo. Então é tarde demais. Vi os policias descarregarem armas de grosso calibre nesses desgraçados. São como máquinas.
O outro homem voltou a cela com uma garrafa de água e uma panela de macarrão instantâneo, também me entregou umas pílulas e disse que isso ajudaria com a dor de cabeça. Fiquei no canto comendo e tentando me manter alheio aquela situação.


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